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“The future’s uncertain, and the end is always near”


Não podemos dizer que há um álbum que marque o estilo dos Doors, cada um deles ajuda na construção de um todo. Morrison Hotel nem é um dos primeiros, portanto não podemos analisá-lo e interpretá-lo como sendo a base de toda a obra da banda.

Apesar de começar com Roadhouse Blues, uma espécie de hino à curta e boémia existência preconizada por Jim Morrison, grande parte do Morrison Hotel toca-nos com músicas incrivelmente melódicas e confortantes, como Waiting For The Sun, Blue Sunday, The Spy,Queen Of The Highway e Indian Summer. Percebemos porque a palavra “Hotel” está no nome do álbum (hotel este que existia realmente, e a fotografia lá tirada pode ter sido o motivo do nome do álbum), porque este é um espaço para descansar e para relaxar, sem grandes filosofias, aproveitando o momento sem pensar no futuro. São essencialmente músicas que nos consolam, parecem feitas para ouvir enquanto observamos um pôr-do-sol quente de Agosto, nunca esquecendo o misticismo que sempre acompanhou a obra de Morrison. Acredita-se mesmo que Queen Of The Highway retrata a relação de Jim com a sua companheira, Pamela, sendo o “monster, black dressed in leather” ele próprio.

É possível que Jim Morrison tenha reflectido, neste álbum, as suas intenções para o que seria o seu presente e futuro, assim como um leve balanço do que até ali lhe tinha acontecido, abordando as experiências mais marcantes. Depois de vermos o filme The Doors (1991), de Oliver Stone, ou, provavelmente, qualquer outro documentário sobre a banda, é impossível não associar as letras de Jim à sua experiência pessoal.

Morrison Hotel funciona, então, no conjunto da obra dos Doors, como uma pausa, um pequeno momento de reflexão e introspecção após a euforia e experiências dos álbuns anteriores. Por outro lado, é um grito de resistência de Jim Morrison antes mesmo da sua fase mais decadente.

Não existem, neste álbum, músicas de maior duração e psicadelismo como outras que marcam a carreira dos Doors, como Light My Fire,The End ou When The Music is Over. A maioria das músicas, apesar de não fugirem a este género, fundido com algum blues e jazz, ronda os três ou quatro minutos. Por isso mesmo, quando ouvimos todo o álbum, chegamos ao fim com a sensação de que acabou cedo demais, que 37 minutos não são suficientes.

Por último, podemos relembrar que Morrison Hotel foi bem recebido pela crítica, até porque veio no seguimento de The Soft Parade, do ano anterior, um álbum mais experimental que havia sido severamente criticado.

14 março 2011

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