Como se consegue mentir para ganhar poder e dinheiro e mesmo assim dormir de consciência tranquila?
É este o mote da série da AMC, Mad Men, que arrecadou na semana passada mais alguns Emmy´s para juntar aos prémios que já colecciona desde a primeira temporada. É natural para quem não vê a série, ou apenas apanhou por acaso alguns episódios na 2, questionar-se: Mas a série tem assim tanta qualidade para receber todos esses prémios?
Não me cabe a mim julgar tal facto. Acompanho esta série há cerca de dois anos (apesar da sua exibição ter começado um ano antes) e a verdade é que, apesar de não ser uma série com um nível elevado de acção propriamente dita, ainda consegue na quarta temporada surpreender-me bastante.
Apesar de a acção se desenrolar na Nova Iorque do final da década de 50 e inícios dos anos 60, a temática não deixa de ser actual – a globalização, o monopólio crescente das grandes empresas, como inovar, ser diferente e ousado – e a forma como a série nos mostra as transformações políticas e principalmente sociais na história americana exerce sobre o telespectador uma nítida sensação de trabalho bem feito.
A série desenrola-se à volta da vida profissional e pessoal de Don Draper (interpretado pelo actor Jon Hamm), um publicitário em ascensão que vê a sua carreira destruir vários pilares importantes da sua vida. À medida que vamos conhecendo mais Don a série fica cada vez mais fascinante e existem segredos que vão sendo revelados acerca do misterioso protagonista ao longo das quatro temporadas já existentes.
Outro dos universos abordados é precisamente a relação de Don Draper com as mulheres. Todos os tipos de mulheres. E o tempo em que a acção se desenrola é bastante significativo para mostrar a evolução social que o papel da mulher sofria na altura, ora falamos da perfeita dona de casa americana dos anos 50 para quem o bem-estar da família é tudo, ora falamos da mulher que põe a sua carreira como prioridade e deseja mostrar ao mundo que pode ser tão boa como o homem.
A nível de cenários e guarda-roupa as coisas não poderiam correr melhor em Mad Men. Cafés, restaurantes, casas, carros, tudo nos transporta para a época nesta série e as indumentárias das personagens são verdadeiramente de sonho e deixam transparecer classe. Na direcção fotográfica de Mad Men não estamos a brincar aos anos 60, estamos sim a reflectir o glamour da classe executiva nova iorquina.
Mas os dois factores principais que me levaram a ver esta série foram não só o facto de ser um óptimo exemplo de produção de época, mas o espaço profissional onde a maioria da acção se desenrola – o mundo da publicidade. Um mundo que estava nesta altura a dar ainda os primeiros passos e onde tudo era permitido. Logo primeiro episódio o maior desafio da Sterling-Cooper (empresa onde a acção se inicia) é criar anúncios publicitários para a Lucky Strike num clima que me iam sendo dados a conhecer à sociedade os dados científicos que provavam que o tabaco matava. Para quem ainda não viu a série posso dizer que a solução adoptada foi um slogan que perdura até aos dias de hoje.
Questões éticas e morais são fortemente abordadas nesta série, mas apesar do seu carácter sério somos levemente envolvidos por uma atmosfera clássica e luxuosa que nos deixam embevecidos e nos fazem adorar esta classe mafiosa de fato e gravata.
Para finalizar não vou tentar imitar Don Draper e arranjar um slogan fabuloso que faça nascer em vocês a necessidade de ver Mad Men pois esta crítica não é um anúncio publicitário, mas a verdade é que aconselho vivamente a série principalmente a quem quer seguir esta área e acredito que se vão identificar com algumas situações.
2 dezembro 2010

0 comentários:
Enviar um comentário